Dez Álbuns que fazem trinta anos em 2018

O ano de 1988 foi grandioso para o Rock e Heavy Metal! Fazer esta lista com apenas 10 álbuns não foi uma tarefa fácil, com certeza.

Em 1988 podemos ver o auge do movimento “hair metal”. Este ano também vimos um ressurgimento da cena punk com alguns novos talentos surgindo, e o Rock Industrial estavam começando a deixar a sua marca. Isso sem contar com alguns veteranos dos anos 70 que continuavam a fazer o que sabiam fazer de melhor.

Qualquer um que viveu este ano lá irá dizer: 1988 foi governado por uma banda, e uma banda sozinha – Guns N ‘Roses, que nesse ponto estavam bem a caminho de conquistar o mundo. Mas quando começamos a pesquisar os melhores e maiores recordes do ano para compilar esta lista dos Top 10 Álbuns de 1988, enfrentamos uma variedade surpreendentemente ampla de artistas e sons.

Aproveitem nossa lista com os 10 melhores álbuns de 1988:

10 – SLAYER – SOUTH OF HEAVEN 

Neste álbum, o Slayer mostrou que nem só de velocidade vive o Thrash Metal. Com um som mais cadenciado e mais arrastado, o Slayer foi a primeira banda de metal extremo a figurar no Billboard 200, principal indicador de audições e vendagens do mercado americano. Destaque para a lendária dupla Kerry King e Jeff Hanneman e o trabalho impecável de Dave Lombardo na bateria.

Em South Of Heaven, todos os elementos que fizeram o Slayer se tornar uma das mais respeitadas bandas do metal mundial estão presentes. O peso, a catarse, e o caos, inerentes à musicalidade da banda, encontram-se intactos, aliados a uma aura mais obscura, menos agressiva e rápida, do que a apresentada nos trabalhos anteriores, mas, ainda assim, muito pesada.

South Of Heaven é um disco clássico, indispensável para a coleção de qualquer fã de música pesada que se preze. Sem dúvida alguma, e sem medo de errar, um dos destaques da prolífica discografia da banda! Não há destaques, é uma obra para ser ouvida na íntegra, de preferência com o volume no “talo”!

9 – IRON MAIDEN – SEVENTH SON OF A SEVENTH SON

O unico disco conceitual propriamente dito feito pelo Iron Maiden, o “Seventh Son Of a Seventh Son”, não por acaso o sétimo álbum gravado pela banda, foi gravado em em um momento mágico de sincronia e sonoridade vivido pela banda.

Inevitável que o grupo não esbarre nas referências literárias do baixista Steve Harris e do vocalista Bruce Dickinson. O conceito base surgiu a partir da morte da medium britânica Doris Stokes (a ideia de alguém que vê o futuro, mas não pode prever a própria morte) e foi inspirado nos livros “Seventh Son” de Orson Scott Card (narrativa de fantasia, no qual o sétimo filho do sétimo filho possui dons paranormais e é disputado por forças do bem e do mal) e “Moonchild”, de Aleister Crowley (ficção do ocultista britânico sobre uma guerra entre magos por uma criança ainda em gestação).

Considerado o trabalho mais progressivo da carreira do Iron Maiden, o álbum é excelente! O disco é coeso e a temática poderia, até mesmo, ser mais explorada e ter ido transformada em canções maiores, que seria tão excelente quanto já é. O ritmo pulsante do baixo cavalgado de Harris e da bateria de Mcbrain garantam o peso, o suave e melódico trabalho de guitarras da dupla Smith e Murray (que aqui encontram a sintonia perfeita) somado aos refrões grudentos tornaram os 4 singles (“Infinite Dreams”, Can I Play With Madness”, “The Evil That Men Do” e “The Clairvoyant”) hits instantâneos.

8 – BON JOVI – NEW JERSEY

Em nossa opinião, o disco definitivo do Bon Jovi! Lançado pouco tempo depois ao álbum de maior sucesso comercial até então da banda, o “Slippery When Wet”, o disco “New Jersey” serviu para aumentar ainda mais a popularidade da banda e ostentar mais alguns recordes. Este alcançou os primeiro lugar na Austrália, Canadá, Estados Unidos, México, Nova Zelândia, Rússia, Suécia, Suiça e Reino Unido. Sem falar que conseguiu emplacar cinco músicas no Top 10 americano, algo que nunca mais foi repetido por nenhuma outra banda de hard rock até os dias de hoje. Sem falar que em apenas seis meses, o mesmo atingiu a marca de cinco milhões de cópias, o que mostra o poder de fogo da banda naquele momento.

Um hard rock com pitadas de AOR que se torna irresistível, desde o belo trabalho de guitarras do grande Richie Sambora, as camadas de teclados bem inseridas de David Bryan, a cozinha entrosada de Tico Torres e Alec John Such e lógico o carisma e o talento de Jon Bon Jovi, que é facilmente um dos grandes frontmans da história do rock.

E aqui temos um disco recomendado do início ao fim, não só para quem gosta de hard rock, mas de música em geral. Se você é chegado em música “chiclete”, daquelas que ficam grudadas o dia inteiro, a trinca inicial cumpre isso com louvor. “Lay Your Hands On Me”, “Bad Medicine” e “Born To Be My Baby” foram feitas sob medida para incendiar um estádio lotado e estão entre as canções que entraram no top 10. A contagiante “Blood On Blood” é influenciada por “Livin On A Prayer” e nos entrega mais uma história contada pela banda, dessa vez sobre uma forte amizade e é baseada no filme “Conta Comigo” de Rob Reiner.

Um disco viciante. Daqueles que martelará por dias na sua cabeça. E que mostra que uma banda pode ser comercial sim, porém ser memorável como o Bon Jovi consegue ser. Não à toa está na ativa até os dias de hoje e ter a relevância que tem dentro do cenário rocker.

7 – QUEENSRYCHE – OPERATION: MINDCRIME

Uma das maiores obras primas do Heavy Metal já criadas até hoje! o “Operation: Mindcrime” é o quarto álbum da banda Queensryche. Banda que até então era considerada apenas mais uma boa banda de heavy metal que explorava o estilo desenvolvido por bandas como Iron Maiden, Van Halen e Pink Floyd. Mas com Operation: MindCrime a banda definiu um estilo que começou a ser forjado no álbum anterior, Rage For Order. Esse álbum provavelmente foi o primeiro do estilo que viria a fazer muito sucesso nos anos 90, o chamado Progressive Metal. Uma mistura de Heavy Metal (guitarras distorcidas, baixo pesado) com rock progressivo (teclados climáticos, corais, vocais em contraponto, harmonias complexas).

O álbum é conceitual, de cunho político, e conta a estória de de Nikki, um rapaz que faz parte de uma organização revolucionária comandada pelo personagem Dr.X. O lema era bem simples: “Assassination and Replacement”, ou seja, “Assassinato e substituição”.

As musicas são um show a parte. Do inicio ao fim, não há encheção de lingüiça, ou seja, cada música se mostra como um obra de arte. Como também, muito diferentes umas das outras, ou seja, em termos de elementos obrigatórios num grande álbum de metal, temos tudo, músicas rápidas, cadenciadas, ópera rock. As letras também são bastante intensas, capazes de criar a atmosfera perfeita para a “lucidez silenciosa” de Nikki.

Destaque para o vocalista Geoff Tate que, em grande forma, executa linhas vocais altamente complexas.

Para quem adora belíssimas músicas regadas a um refinamento incontestável, o Operation: MindCrime é um grande álbum a ser apreciado.

6 – LIVING COLOUR – VIVID

O que falar de uma banda de funk rock surgida no auge do Hard Rock oitentista? Melhor: o que falar de uma banda formada apenas por integrantes negros – extremamente competentes, diga-se de passagem – nos Estados Unidos dos anos 80? A princípio, apenas duas palavras: Living Colour!

Mas, seriam os aspectos citados anteriormente os mais relevantes sobre o Living Colour? Claro que não! Na verdade, nada disso devia ser chocante, mesmo naquela época, visto que Corey Glover (vocal), Vernon Reid (guitarra), Muzz Skillings (baixo) e Will Calhoun (bateria) eram apenas quatro caras com aparente tesão pela vida e fome de boa música. O resultado disso é “Vivid”, álbum de estréia do Living Colour.

O álbum tem uma atmosfera própria, cheio de energia! Do início soul sessentista de “Open Letter (To a Landlord)” há o desemboque para um hard/heavy melódico comandado pelo baixo “patrola” de Skillings, da vibe “pós-motown” de “Glamour Boys”, do início hendrixiano de “Desperate People”, do riff sangrento que emoldura a crítica político ditatorial camuflada em “Cult of Personalitty”, da sinceridade rasgante de “Middle Man” – tudo soa novo, brilhante, contundente.

Vivid não é um disco revolucionário, cheio de viagens lisérgicas e experiencialismos doidos. É apenas um ótimo álbum que devia ser escutado e respeitado por ser um dos primeiros a apresentar tantas misturas de estilos em apenas 11 musicas.

5 – BAD RELIGION – SUFFER

Este é simplesmente um dos álbuns mais influentes da história do Punk/Hardcore! É difícil encontrar alguém ligado ao punk-rock que não reconheça que “Suffer” é um dos melhores álbuns do gênero.

No final dos anos 80, com a musica punk totalmente saturada e o hardcore totalmente crossover, “Suffer” veio para quebrar paradigmas e reinventar o punk rock da época. Com pérolas curtas e grossas como a música título, “You Are (The Government)” e a perfeita “Do What You Want”. Grandes clássicos que fizeram Suffer influenciar 11 em cada 10 bandas de Hardcore.

Para finalizar é dizer que quem não ouviu não sabe o que está perdendo e subestima o poder e o estrago que três acordes e músicas de um minuto podem causar. É mais um da coleção “tenha ou morra.” Deve morar em seu armário e em sua playlist. Não existe um manual sobre como ser um Punk, mas tenho certeza que milhares de pessoas que participam de cenas e militâncias políticas pela causa, se inspiraram nas belas metáforas e críticas sociais deste disco. É aprendizagem e diversão garantidas.

4 – VAN HALEN – OU812

OU812 é o oitavo álbum do Van Halen, alcançou sucesso de vendagens nos Estados Unidos, trazendo definitivamente uma nova roupagem POP para a banda que sempre se alternou entre o Hard e o Glam.

A entrada de Sammy Hagar possibilitou ao Van Halen alçar vôos maiores, e não apenas comercialmente falando. As composições passaram a explorar elementos mais variados, indo muito além do que a banda já havia desenvolvido com Roth. O hard rock característico do grupo ganhou elementos ainda mais técnicos e ousados, que, tendo como características principais a guitarra de Edward Van Halen e o alcance vocal privilegiado de Hagar, fizeram o Van Halen se tornar, definitivamente, uma das maiores bandas da história.

OU812 é o segundo disco com a participação de Sammy. Mais entrosados, os músicos conceberam um trabalho inspirado, que mostra novas direções para a sua música. “Mine All Mine”, faixa que abre o álbum, possui um intricado instrumental repleto de mudanças de andamento, em uma quebradeira infernal. Contrastando com este aspecto, “When It´s Love” e “Feels So Good” são duas baladas compostas cirurgicamente para levantar estádios e, não à toa, ambas figuram entre os maiores sucessos da carreira do grupo.

A inspiração farta marca presença em “Finish What Ya Started”, com a guitarra de Eddie soando limpa e cristalina, e em “Cabo Wabo”, dona de um riff pesadíssimo e com Sammy entregando, provavelmente, a sua melhor performance enquanto esteve ao lado do grupo.

Grande álbum, grande banda. Uma pena que desentendimentos tenham colocado um ponto final na relação de Hagar com o Van Halen, encerrando aquela que é considerada por muitos a melhor fase deste gigante do hard rock norte-americano.

3 –  HELLOWEEN – KEEPER OF THE SEVEN KEYS: PART II

O Helloween é uma banda que tem seu nome marcado na música pesada. Um dos precursores do heavy metal melódico, a banda influencia grande parte da nova geração da música melódica e continua sendo uma das maiores bandas do seu estilo. Parte desse sucesso se deve ao lançamento de dois clássicos da carreira da banda, os dois Keeper of the Seven Keys.

Com a dura responsabilidade de suceder o disco anterior, “Keeper Of The Seven Keys, Part One”, a parte dois da saga não somente logrou êxito total, musicalmente falando, como na prática vendeu mais cópias que a primeira.

Os maiores sucessos que ficaram marcados até hoje saíram desse CD, e são eles Eagle Fly Free (que por muitos é considerada a melhor música da banda) , I Want Out e Dr. Stein. O disco ainda traz a continuação para a música Halloween, a não menos épica Keeper of the Seven Keys, e pérolas do heavy metal como You Always Walk Alone e We Got the Right. Musicalmente, o disco também é uma continuação da primeira parte e o estilo se manteve em todas as faixas com muita velocidade aliada a peso e melodia.

Com esses dois clássicos o Helloween conseguiu uma repercussão tal que as abóboras do metal ainda gozam de uma credibilidade grande com os fans e uma grande quantidade de seguidores do seu heavy metal. Up the pumpkins!

2 –  METALLICA – …AND JUSTICE FOR ALL

Depois de ajudar a definir o que é Thrash Metal, com seus três primeiros álbuns, o Metallica passou por algumas mudanças, tanto no line up quanto musicalmente. Começavam a ganhar um pouco mais de dinheiro e a ficarem mais famosos. O mundo conheceria os gigantes do metal. Após a morte de Cliff Burton, os caras do Metallica não esperaram muito para colocar outro cara em seu lugar e algumas semanas depois Jason Newsted estava na banda.

Apesar de criticado pela produção, principalmente pelo baixo volume do baixo de Jason Newsted, o disco é uma obra-prima quase conceitual (não conta uma história, mas muitas de suas canções são temáticas com críticas ao “sistema”, a começar pelo título e pela capa) que levou o Metallica a outro nível instrumental com riffs mais intrincados e tempos quebrados que com certeza influenciaram e muito bandas que surgiam naquela época e são grandes hoje em dia por fazerem um som mais quebrado e às vezes “moderno”.

Podemos colocar todas as músicas como destaque, porém “One”, com seu videoclipe (o primeiro da banda) foi a música de maior sucesso. “Blackened” e “…And Justice For All”, são as faixas em que percebemos o ápice técnico /musical da banda.

Excelente álbum, um dos melhores da história do metal.

1 –  GUNS N’ ROSES – LIES

Após o mega sucesso do primeiro disco, Appetite For Destruction (1987), e o clipe de “Sweet Child O’ Mine” tocar exaustivamente na MTV, o Guns N’ Roses era a maior banda do planeta. O álbum atingiu vários recordes mundo a fora, tornando-se o de estreia que mais vendeu na historia. O álbum alcançou a 2ª posição nas paradas, foi cinco vezes platina e foi eleito pelo Grammy como o melhor álbum de performance Hard Rock, chegando ao disco de ouro logo após. Foi o último álbum gravado com o baterista Steven Adler, antes de ser demitido da banda por seu excessos.

Com a banda atraindo cada vez mais atenção e sem ter um novo disco completo para ser lançado, sua gravadora, a fim de aproveitar mercadologicamente essa exposição, pegou o material de um EP, que havia sido gravado em 1986, Live ?!*@ Like a Suicide, e acrescentou quatro músicas que foram gravadas na forma acústica. O EP serviu para que a gravadora fizesse um teste em estúdio com os novatos, que na época era apenas uma banda de clubes. Teoricamente, trata-se da gravação de uma apresentação em um desses clubes. Porém, algum tempo depois, Axl Rose revelou que as músicas nada mais eram que a gravação de uma demo com a platéia em overdub. São quatro músicas, sendo dois bons covers “Nice Boys” (Rose Tattoo) e “Mama Kin” (Aerosmith); e duas músicas autorais: “Reckless Life” e “Move to the City”, essa última composta ainda nos tempos do Hollywood Rose, antiga banda que, juntamente com o L.A. Guns, foi o embrião do Guns N’ Roses. No lado B estão as quatro faixas acústicas: “You’re Crazy”, que já havia sido gravada em Appetite ForDestruction, aqui mais lenta e adaptada aos violões; “One in a Million”, com uma tímida guitarra distorcida no acompanhamento, e “Used to Love Her”, que foi escrita, segundo o próprio Rose, para sua cachorrinha. Não poderia deixar de citar o megassucesso “Patience”, música que embalou muitos e muitos bailinhos na época. O assobio no início da canção é uma das melodias mais reconhecidas dentre aquelas que utilizam desse tipo de som. O Lies foi muito importante para a banda pois essas músicas mais sossegadas diluíram um pouco a sonoridade agressiva do primeiro disco, fazendo com que a imagem de “banda mais perigosa do mundo” fosse deixada um pouco para trás.

GN’R Lies é um bom trabalho, que tinha como propósito manter o Guns em primeiro lugar no topo das paradas e alavancar ainda mais as vendas de Appetite. As canções são muito boas, e mostram diferentes fases da banda, desde daquela em inicio de formação, até os consagrados pelo sucesso.

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